Os artigos assinalados como Voz do Libertário são da exclusividade dos militantes da associação Partido Libertário e refletem a opinião pessoal dos respectivos autores.

Select Page

Os impostos acabaram

Na volta do milénio, os governos mundiais atingiram o ponto de automutilação, no qual um eleitor ganha mais dinheiro ao ficar em casa do que a ir trabalhar. Tornou-se apenas uma questão de tempo, até um qualquer alibi oportunista desmontar o castelo de cartas do fabianismo. Se alguma coisa há a estranhar é o ter demorado. Eis os factos:

1) Quem recebe dinheiro do estado não trabalha. Funcionários, pensionistas, empregados de empresas públicas. Nenhuma dessas pessoas trabalha. Todos eles recebem dinheiro para gastar nos seus fetiches pessoais em troca de fazerem umas tralhas inúteis que ninguém quer pagar. Ainda assim consideram ter direito infinito a receber dinheiro que ninguém lhes quer dar.

2) Quem trabalha fica com menos de metade do valor por si criado. Quem faz um trabalho, aquelas pessoas a quem o patrão quer pagar pelo serviços prestados, ou os que produzem algo que os consumidores reconhecem valor e aceitam dar o seu dinheiro em troca, são, além de poucos, privados pelos impostos de metade do valor que criaram. De todo o trabalho que é realizado, só metade do resultado chega às mãos de quem trabalhou, a outra metade vai para o estado redistribuir por quem não trabalha.

3) Empresas com apoio do Estado são iguais a departamentos governamentais. Bancos, Seguradoras, Telecomunicações, Gasolineiras, Supermercados e todos os outros colossos que recebem ajudas do estado, seja sob a forma de subsídios, concessões licenças, preços marcados, regulação e outras barreiras à concorrência, etc. são iguais a funcionários do estado. Não geram valor, não trabalham, nem pagam impostos, recebem.

4) Só os patrões pagam impostos e ainda por cima são humilhados. Os impostos que tiram dinheiro de quem trabalha para o dar a quem nada faz, são pagos por meia dúzia de patrões, uns poucos maduros que não só sustentam todo o monstro anti-económico, como ainda são perseguidos por regulações e obrigações humilhantes para os manter domesticados.

Com este cenário, só se torna patrão quem é parvo e mais complicado de resolver, ninguém quer trabalhar. Isto porque, para haver novos patrões, sempre bastou enganar uns poucos idealistas com umas fantasias de liberdade. Agora, entre ir trabalhar em algo duro e pouco gratificante para apenas receber metade do que foi criado e, por outro lado, poder ficar em casa a achatar a curva e daí receber a outra metade, é uma escolha demasiado fácil.

Desde sempre que o acesso à casta de recebedores do Estado é ferozmente racionado, precaução essencial para evitar que a maioria da população faça a escolha óbvia e deixe de trabalhar. Concursos públicos, regulações, ordens profissionais, critérios demográficos, foram sendo adicionados à burocracia do Estado, precisamente para segregar os que recebem daqueles que são obrigados a trabalhar. Mas essa barragem algum dia teria de furar.

O comunavírus, o falso medo de uma doença que não é especialmente perigosa, ecoando o marxismo militante de todos os jornalistas e académicos, derrubaram enfim as centenárias barreiras de acesso ao parasitismo de Estado. No momento, basta alegar que se deseja ficar confinado, que o governo se obriga a sustentar um inútil a mais. Em poucas semanas, >10% da população transformou-se em recebedores de subsídios, do mesmo modo que a 1/4 a 1/3 de todos os trabalhos foram eliminados, derrubando a muralha entre classes.

Por agora, ainda é necessário justificar que se tem medo do vírus para passar a receber sem ter de trabalhar. Mas em breve, quando quiserem ir à praia, a desculpa para não trabalhar será que não há empregos e o governo lá criou mais uns milhões de dependentes, que não tem como sustentar, pois ninguém vai voltar a pagar impostos.

Com o caldo tão entornado, ninguém em bom senso irá investir num negócio privado, não irá querer pagar um salário a mais, não irá correr o risco de ver a sua loja voltar a ser fechada e não irá obrigar-se a pagar mais impostos.

De todos os restaurantes, lojas, pequenos negócios que ainda estão fechados, só irão reabrir aqueles onde os próprios donos e familiares podem lá trabalhar sem ter de declarar impostos. Não é mais possível concorrer contra as empresas gigantes que recebem bailouts e tem esquemas globais de optimização fiscal.

Nunca foi possível sustentar um estado que tira metade do valor gerado para o dar a quem não trabalha. O comunavírus apenas coincidiu com a falência fatal. O Estado já deixou de cobrar impostos e assumiu que sustenta a maioria da população com recurso apenas a dinheiro falsificado. Num primeiro momento, as empresas já instaladas, vão parecer prosperar, enquanto as PMEs deixam de empregar, mas em breve, a cobra irá descobrir que está a correr o próprio rabo.

Entrada Anterior

Entrada Seguinte

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pin It on Pinterest