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O João

O João vai para casa depois de um dia de trabalho. Recebeu hoje o salário em dinheiro, €1000.00, e vai com ele na carteira para casa. Vai a pé pois mora a pouca distância do trabalho.

No percurso um indivíduo, o José, acerca-se dele e encostando uma navalha ao peito, entre costelas, diz-lhe que lhe dê a carteira. O João entrega-lhe a carteira. O José inspecciona o conteúdo da carteira e ao verificar que esta tinha €1000,00 destaca €500,00 e entrega-os ao João dizendo, tens aqui dinheiro para comida, vai-te embora. O João pega no dinheiro devolvido e dirigiu-se à esquadra de polícia mais próxima. Quando lá chegou dirigiu-se ao agente de serviço e disse-lhe que quer participar um roubo.

Agente: Então descreva lá o que sucedeu.
João: Ia para casa, a pé, depois de sair do trabalho. Tinha acabado de receber o ordenado e na rua apareceu-me um fulano com um facalhão na mão e mandou-me entregar-lhe a carteira. O salário estava na carteira.
Agente: Conhece o indivíduo?
João: Tenho-o visto por aqui e ali. Não o conheço pessoalmente.
Agente: Continue se faz o favor.
João: Como estava dizendo, entreguei-lhe a carteira. Ele viu o que ela tinha e deu-me metade do
que lá tinha.
Agente: Devolveu metade? Metade de quê?
João: Metade do que eu lá tinha. Metade do ordenado, €500,00. Ah, e a carteira, também devolveu a carteira.
Agente: A ver se eu entendo. O sr está a dizer-me que o ladrão devolveu metade do que o sr tinha na carteira? E que o fez enquanto exibia uma arma branca?
João: Sim, resumidamente foi isso que eu disse e o que aconteceu.

O agente da polícia pôs-se a olhar para o João, perplexo com o que tinha acabado de ouvir.
Foi a primeira vez que se deparou com uma situação daquelas, um ladrão que devolve uma parte da coisa roubada ao seu legítimo proprietário.

Agente: Só um momento por favor, tenho que ir ali ver uma coisa.
João: Com certeza, eu aguardo.
Passados alguns minutos volta o agente.
Agente: Lamento mas não posso receber a sua participação como roubo. Fui ali reler o artigo 210 do Código Penal e não menciona nada de devoluções, logo não é roubo. Talvez deva consultar um advogado para o ajudar a caracterizar o evento. Não posso registá-lo como roubo, houve uma devolução. E eu também não sei como o enquadrar.

O João foi para casa a pensar como é que ia convencer a mulher que não tinha gasto o dinheiro em diversões e vinho verde.

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