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O Capital, uma história.

Os salários são baixos? Falta capitalismo!

Antes de mais convém esclarecer que os salários não são baixos em absoluto, um salário pago é sempre o mais alto possível. Qualquer pessoa capaz de ganhar um salário sabe comparar dois salários e daí escolher o maior. Como tal, se aceitou que lhe paguem um qualquer salário, é porque esse valor é o mais alto que existe. Conclusão número 1, os salários pagos são, em absoluto, os mais altos possível.O que podem é ser menores do que outros salários, noutros lugares ou de outras pessoas. Mas aí, o que fez alguns salários serem comparativamente mais baixos é apenas a falta de capital, e se há falta de capital, é porque falta capitalismo. Algo que, para se entender, é preciso entender primeiro o que é o capital. Um assunto de que Marx não entendia rigorosamente nada.Começando pelo simples, um exemplo: Um agricultor com um trator tem mais capital do que um agricultor com uma pá. Pá e trator, para o agricultor, são ativos, são capital, e o valor do trator maior, é mais capital. Os dois equipamentos ajudam o trabalhador a aumentar a sua produção e portanto aumentam o rendimento do seu trabalho. Só que o trator tem maior impacto do que a pá, traz maior rendimento ao agricultor que sabe conduzir, aumenta mais a produção do que a pá. Conclusão número 2, e última, para haver maior salários é preciso antes extrair mais rendimento do trabalho, ter mais produtividade, para o que é preciso ter mais capital acumulado.

Acumular capital é economês para dizer poupar. Afinal de contas os tratores não nascem nas árvores, dessa agricultura qualquer um sabe. Para criar o capital é preciso ter antes trabalhado, construindo os tratores. Trabalho esse, nos tratores, que não rende no imediato, mas renderá no futuro. Portanto, conclusão número 3, depois da 2 mas menos importante, o capital é apenas e nada mais do que, trabalho poupado.

E bem aplicado. O agricultor que poupa para ter um Lamborghini, poderia comprar um Gallardo ou um March VRT, o custo dos dois é o mesmo, só que o March VRT (que é um trator) irá aumentar a sua produtividade agrícola, será capital. Já o Gallardo, será apenas consumo, destruição de poupança, que não ajuda a cavar batatas. Explicando, o capital é trabalho poupado para depois ser aplicado, junto com mais trabalho, na multiplicação da produtividade.A operação é importante. Se fosse apenas somar, trabalho poupado + trabalho presente, dava em nada, não faria sentido andar a poupar para reaplicar. Mas o efeito do capital é multiplicador. Conclusão 4. O trabalho poupado aplicado em capital vezes o trabalho presente resulta na produtividade. Produção = Capital * Trabalho.E não se fica por aqui, o capital tem ainda a vantagem de poder ser reutilizado. Um trator não se gasta na primeira vez que é utilizado, pode repetir a sua magia multiplicadora da produção por muito bons anos, aumentando a produção, que permite maior poupança, por sua vez transformada em capital num ciclo exponencial (no sentido literal). O poder multiplicador do capital ano após ano é tão gigante, que só gente muito mal intencionada pode ser contra a acumulação de capital. Vamos lá, quanto mais capital, mais rendimento e portanto maior valor retirado do trabalho. Assim sendo para aumentar salários é preciso acumular capital. Porque o trabalho sem capital não vale nada. Para que o trabalhador tenha bons salários é preciso aplicar ao seu trabalho muito capital.

Para isso é que é preciso capital, e capitalismo, que como o próprio nome indica é o sistema que maximiza a utilidade do capital. Conclusão final, daquelas que infelizmente não ensinam na lavandaria de cabeças do monsenhor Louçã: para haver salários (ainda) mais altos basta haver mais capitalismo.

Não Das Capital

Já sabemos que Produção = Trabalho * Capital. Mas o que pouca gente sabe é que o Capital é pessoal e intransmissível. Conhecimento que ajuda muito a explicar porque é que onde não há capitalismo nem propriedade privada (onde há socialismo) só resta a miséria.Lembrando o exemplo do trator e do agricultor, é fácil de entender que: trator * agricultor = muitas batatas. Em comparação com pá*agricultor = menos batatas. Isto é simples, o trator é mais valioso do que a pá e portanto representa mais capital, certo? Não, errado.O trator é apenas valor, não é capital, só se torna capital, com a tal capacidade de multiplicar o rendimento do trabalho se for posto nas mãos do agricultor. O mesmo trator, nas mãos de uma bailarina, ou professor, não produz o mesmo efeito. Trator*Bailarina= nada de batatas, não funciona. Ora, decorre daqui que há algo, no meio do trator e do agricultor, que faz o produto se multiplicar e que esse algo falta à bailarina.

Chegados aqui, quem não for tão retardado a ponto de acreditar em Marx, já terá concluído o que é que falta à bailarina com o trator é conhecimento (know-how). A bailarina, tal como a maioria de nós, criaturas da cidade, pode ter nas mãos o melhor trator da história (juntamente com todos os outros factores de produção: sementes, água, terra) que a sua capacidade de produzir batatas continua nula. Não sabe o que fazer. Nas mãos da bailarina o trator é apenas valor, um bem que pode vender, não é capital. Para ser capital, um bem de valor tem de ser combinado com a dose correcta de conhecimento, de saber fazer. Valor*Conhecimento=CapitalE quando se fala de conhecimento, tem de ser verdadeiro, útil e relevante. Mestrados na escola do sr. Louçã ou cursos de coaching por correspondência ou patentes, nada disso é conhecimento, são apenas cultura geral. Para ser conhecimento tem de poder ser combinado com um bem de valor (um trator ou equivalente) para o transformar em capital, que por sua vez multiplica a produtividade do trabalho.

Coisa curiosa, é que o conhecimento não é transmissível, é replicável. Se o agricultor nos ensinar a usar o trator, nós aprendemos (se quisermos) mas isso não é uma transferência, pois o agricultor não deixa de saber o que sabe por ter ensinado e também porque nós, para aprender, temos de acumular trabalho, poupar (no caso chama-se estudar). Não dás Capital.O conhecimento, aquele que aplicado a bens de valor permite realizar capital, é assim intransmissível, não pode ser redistribuído, nem colectivizado, só pode ser adquirido colocando quem não o tem a aprender com quem o pode ensinar. Nota paralela, para fazer notar que nenhum economista catedrático alguma vez enriqueceu na sua profissão, por isso é evidente que não têm conhecimentos de economia, nem a podem ensinar.

Em resumo. Já sabíamos que: Capital*Trabalho=Produção. O que escapa à grande maioria das pessoas, incluindo alguns bem informados, é que Capital=Valor*Conhecimento e que o conhecimento é pessoal e intransmissível, só podendo ser acumulado. Fazendo com que qualquer ideia de transferência de capital (por redistribuição ou coletivização) está condenada ao miserável fracasso.

Esta opinião vale o que pagam por ela.

Tal como o amor de mãe, que não tem preço, aquilo que não se compra, não pode ser economizado. No entanto, infelizmente, há por aí muita gente confusa que insiste em meter no mesmo saco amor e prostituição.O que é um bem, o que se pode comprar, categoria que obviamente não inclui o amor de mãe, é aquilo que tem um valor, o seu preço. E, se tem esse valor, então pode ser aplicado, com o devido bom senso, na produção de mais valor, gerando riqueza. Para tal, basta seguir a fórmula já antes explicada em que: Valor * Conhecimento * Trabalho = Produção.

Esta constatação, de que, por um lado as coisas têm apenas o valor que alguém paga por elas e que por outro há coisas tão, mas tão valiosas, que de modo nenhum se podem comprar, pois nem sequer têm preço. Parecendo, e que é, simples de entender, é uma das maiores fontes de manipulação das massas (tanto no sentido de muita gente, como do dinheiro delas), pelos políticos.Nesta explicação, que não está a ser paga e também não vale nada, não se fala das coisas da vida que não têm preço, podemos então dispensar os dramas pessoais e as dignidades ofendidas, ou as saudades dos cozinhados maternais e voltar ao que é a simples produção de riqueza. As coisas que tem o valor, aquele que por elas se dá.

Se ninguém paga, é porque não vale nada. Valor zero, igual ao preço e nenhuma contribuição para a produção e riqueza, têm então todas aquelas coisas que são gratuitas, a saber: este texto, os serviços públicos do estado, como a saúde e a educação, ou as convicções políticas. Podem ser importantíssimos, para algumas pessoas certamente serão, mas não valem mais que o amor de mãe e também não estão à venda, não têm valor, não geram produção.

Tudo isto pode parecer um simples jogo de palavras, mas não é. Vamos então ao exemplo prático que já vem de trás. O trator, o agricultor e a sua produção de batatas: O trator tem valor, porque o agricultor o comprou. As batatas são a sua produção que podem ou não valer algo. Se o agricultor deixar apodrecer as batatas num armazém, o valor da sua produção é zero, indicando que o seu trabalho, mais o valor do trator ali aplicado, foram desperdiçados.O desperdício inerente a todos os processos não económicos, como são as intervenções governamentais, é uma das explicações para o facto de que as coisas que tinham valor, como aquele trator, serem consumidas em vez de capitalizadas. Mas há mais, há a imprevisibilidade do valor futuro. As batatas até podem vir a ser vendidas, mas por quase nada, apanharem-se numa época de abundância tal, que o seu valor por kilo é muito baixo, não compensando nem o desgaste do trator, quanto mais o trabalho do agricultor. Quem sabe lá o que vai acontecer no futuro? Ninguém, por isso mesmo é que não é possível saber antecipadamente o valor de coisa nenhuma e por isso é que todo o valor poupado pode simplesmente vir ser mal aplicado, consumido. Pior ainda se houver desperdício associado. Mais pior ainda se o objectivo dessa actividade nem sequer for a maximização do capital, o lucro. O lucro é o resultado da diferença entre o custo dos factores de produção, mais o trabalho do agricultor junto com o trator, contra o valor dos bens produzidos. Quanto maior o lucro, maior o valor produzido, quem não gosta do lucro, não terá facilidade em acrescentar valor.Assim, o desperdício na produção e o desconhecimento dos preços futuros, mais o desinteresse pela maximização do capital, são os factores que tornam extremamente difícil a valorização de uma produção. De tão fácil que é o trabalho resultar em produtos que não valem nada, que quase todo, na verdade mesmo todo, o conhecimento envolvido na produção (o tal conhecimento que gera capital) está concentrado na capacidade de adivinhar o que poderá vir a ser vendido.Saber vender, maximizando o preço da produção e com isso o lucro obtido sobre o valor aplicado e o trabalho usado, é a única forma de gerar prosperidade. Eis a conclusão.O capitalismo é a única forma de gerar riqueza e prosperidade. Porque os capitalistas são aqueles que detém conhecimento sobre o que se consegue vender, e só vendendo é que as coisas têm valor. E sem venda, sem comercialização, sem livre mercado, tudo o que se faz não vale nada, zero, nicles, bolsos vazios.Claro que há coisas que não precisam de capitalismo para nada, como o amor de mãe, mas essas coisas importantíssimas, não fazem ninguém rico. Todos os pobres, miseráveis e mortos de fome, também têm as mães deles, que os amam. Para lhes juntar uma vida confortável, com teto sobre a cama, acesso à internet, donuts, vacinas, bons salários e dinheiro para comprar tudo isto, só há um caminho, o capitalismo.

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