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Mudam as Moscas

Quem fica sempre a perder nestas revoluções, onde se muda qualquer coisa para ficar tudo na mesma, é o pobre que trabalha, que investe, que acumulou capital. Esse que era um desgraçado de um burguês assustado, sempre no risco de lhe entrar em casa um cavaleiro para exigir a pernada, agora é um patrão, pequeno empresário, que sustenta todo o aparelho do Estado e ainda é insultado. De um regime ao outro, ficou sempre a perder, com o mesmo mau trato, mas então, como é que foi assim enganado? Ora, porque não percebe nada de Economia.

Para explicar, é preciso voltar atrás, ao sistema feudal, que era chato, porque os senhores aristocratas tinham rendimento assegurado sem terem de trabalhar. É mau, claro, valeu-lhes irem para a gilhotina, mas foram para criar uns novos senhores burocratas que também têm rendimentos sem trabalhar. Isso mesmo. Ser funcionário público, pensionista, ter subsídios do Estado, membro de uma ordem profissional, dono de uma licença ou concessão, são rendimentos garantidos, que algumas pessoas têm e para os quais também não trabalham. Já agora, os burgueses bem afortunados, também não trabalham, também recebem rendas sob a forma de dividendos do seu capital. Parece confuso, mas não é, e para deslindar toda esta trapalhada há que entender que os rendimentos não são todos iguais.

Há que aceitar que o objectivo de toda a gente que trabalha por dinheiro é deixar de o fazer, é ter um rendimento, ou seja, ficando apenas com a parte do dinheiro. Um rendimento é uma coisa maravilhosa e que vale a pena ir atrás. O problema é que há duas formas de obter Rendimento, a boa, que é Investir e a má que é Roubar. Os senhores, sejam aristocratas ou burocratas, têm rendimentos roubados, o que é mau. Os capitalistas têm rendimentos porque investiram o que pouparam e isso é bom. A desgraça da revolução francesa e de todo o marxismo que se lhe seguiu até ao estado social, é apenas se ocupar do mau rendimento, com o roubo.

Ainda agora, em plena pandemia do comunavírus, toda a gente que se diz muito assustada com a tosse, na verdade só quer assegurar algum rendimento adicional, não trabalhado. Uma moratória, um layoff, uma baixa, um subsidio, um bailout. São tudo rendimentos que se obtém pelo caminho errado, sem investir, nem poupar. E se isto ainda está confuso, talvez ajude voltar ao exemplo do agricultor.

Há muito tempo atrás, o agricultor plantou umas batatas, fez a colheita e foi ao mercado para as vender. Até agora é só trabalho para nada, investimento. Depois da venda das batatas, poupou alguma coisa e comprou um trator, que lhe aumentou a produção e vendeu mais batatas e poupou ainda mais, que investiu num sistema de rega e na contratação de trabalhadores assalariados, que lhe produzem e vendem as batatas quase sem supervisão. O agricultor tem agora capital acumulado, poupou o suficiente para investir, investiu bem para acumular capital e o capital gera-lhe um rendimento. Maravilha.

Os problemas começam, quando vem de lá um senhor feudal armado em burocrata ou revolucionário e tal e toca de cobrar impostos. Pior vai gastar tudo em coisas que o agricultor não concorda, só ao senhor usurpador lhe interessa aquele gasto. Essa criatura não trabalhou, não poupou, não investiu, não acumulou capital, limitou-se a se apropriar, pela força, do que ninguém lhe quis dar. Claro que o agricultor ficou chateado e só vai tolerar esta usurpação se estiver bem ameaçado de porrada, prisão ou os dois.
O rendimento do agricultor, foi assim redistribuído, ou seja, tirado a quem o tinha por ter acumulado capital e entregue para esbanjar a quem não fez nada para ajudar. Está mal. E é por estas maldades que quanto mais o Estado tira a quem trabalhou para dar aos seus burocratas, mais toda a gente fica pobre. Porque o efeito não está só no quanto foi roubado na hora, ainda mais danoso é a destruição futura por desmoralização do produtor.

Se o agricultor sabe que ao fim do dia tem de sustentar um monte de gente que não quer trabalhar, vai desanimar, vai trabalhar menos, vai poupar menos, vai investir menos, vai acumular menos capital e portanto haverá menos rendimento para toda a gente, para o agricultor e também para os bandalhos que lhe vão roubar.

A razão pelo qual o socialismo acaba sempre em miséria, ou porque o comunavírus é apenas uma versão desinfetada de socialismo, é porque ataca os rendimentos de quem trabalha e poupa e investe, com a desculpa que estão a tirar a quem o tinha roubado. Sim, porque se escutarmos um socialista ele vai sempre dizer que a sua disputa é com o aristocrata, que o Visconde tem um rendimento injusto que deve ir para o partido.

Mas a evidente realidade é que o aristocrata está falido, porque também nunca acumulou capital, no antigamente vivia do quanto tirava aos investidores dos seus domínios, e agora foi substituído nesse roubo pelos burocratas, os governantes, que continuam a sacar aos mesmos que já antes eram sacrificados. Pois claro, só vale a pena roubar a quem trabalha.

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