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Imprimir dinheiro (já) não causa inflação.

A teoria económica convencional (que é como quem diz, as alucinações de uns babuínos de toga) pressupõe que a inflação é o resultado do aumento da massa monetária por via da impressão de dinheiro. Mas não é bem assim e pode até ser ao contrário.

Esse efeito, de impressão -> inflação, foi de facto observado nos anos 60-70 do século passado, e entre outras ocasiões, e daí, foi precipitadamente transformado em lei, num erro típico da quem se recusa a aceitar que a economia não é uma ciência ou que um modelo econométrico não vale os os electrões que atrapalha a calcular, se as suas previsões estiverem (como sempre estão) erradas.

Mas para chegar a tanto é antes preciso entender em que condições particulares a relação: impressão -> inflação se pode verificar. Passo a explicar. No passado, na Venezuela ou no Zimbabué, imprimir dinheiro resultou em haver muito dinheiro e pouca capacidade produtiva. Portanto, os produtos que o dinheiro ia encontrar ficavam escassos por comparação e o seu preço subia, significando que o dinheiro perdia valor. Era tal da inflação.Ocorre então que o caminho da impressão de dinheiro para levar até à inflação não é directo, tem de passar pelo meio por uma destruição de capacidade produtiva. Tem de haver escassez de bens de consumo para estes subirem de preço em resultado dos aumentos de massa monetária nos bolsos dos consumidores.

Ora, num mundo globalizado, com cadeias de abastecimento tentaculares é difícil esgotar a capacidade produtiva. Pior, numa economia digitalizada, onde os serviços virtuais representam uma parte gigante do que é valor, nem sequer há limites físicos à produção. Mais complicado ainda, num cenário globalista em que os bancos centrais estão todos coordenados, nenhum grande bloco económico ficará excluído do acesso ao consumo. E para finalizar, o mais importante de todos, isso da impressão gerar consumo adicional, só aconteceria se a moeda fosse para as mãos dos consumidores, mas não vai.

A impressão de moeda, como ela hoje é feita, aos trilhões, não chega aos consumidores. Fica toda ela nas mãos de uns gajos muita bem relacionados que se divertem a martelar folhas de excel. O banco central imprime, dá a um banco comercial, que coloca num empréstimo, que troca por um derivado, que monetiza uma dívida, que deposita num colateral, etc e tal. Num circuito virtual, onde a única coisa que se aproveita são as comissões. E estas são uma pequena percentagem, motivo pelo qual, os bancos precisam cada vez mais de estímulos para manter a roda a rodar.

Quer isto dizer que toda a massa estapafúrdia impressa, só uma pequena parte vai para os bolsos dos políticos e bancários, quase nada chega aos consumidores, que não obtém mais poder de compra, não esgotando nenhuma produção, não fazendo subir os preços. Não causando inflação.Então, quer dizer que se imprimir dinheiro não gera inflação, podemos estar descansados, certo? Errado. Não gera inflação generalizada, mas gera deflação do trabalho e isso é pior a emenda que o soneto.Todo este dinheiro que está a ser impresso é dívida pública, são impostos sobre as crianças, que necessariamente vão ficar mais pobres para os pagar. Não de uma forma imediata, mas através de uma degradação contínua da sua qualidade de vida. Para imprimir dinheiro, os bancos centrais coordenados criam juros negativos, que salvam da falência organizações ineficientes, e impedem a entrada de inovação. Sem inovação, não há crescimento económico, sem crescimento económico, não há prosperidade, só redistribuição. Todo o dinheiro roubado em comissões sobre o circuito virtual dos empréstimos do banco central, é redistribuído, tirado aos consumidores, para sustentar o nível de vida extravagante dos bancários. Os únicos bens que sofrem então de inflação são os produtos de luxo e outras extravagâncias milionárias, como super-iates ou os futebolistas. Nada que seja um bem que consumo popular pode subir de preço porque não houve nenhuma inovação que tornasse a produção mais barata ou acessível. Levando a que a classe média vá ficando cada vez mais pobre, sem disso se dar conta. Empresas zumbi, a bloquear a entrada de concorrentes inovadores a vender produtos ultrapassados a consumidores que ganham cada vez menos salário. Eis a zombificação. O resultado de toda esta impressão de dinheiro. Não é inflação, é pior.

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