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Bloco de Esquerda – Lobo em Pele de Cordeiro

Enquanto nos vamos entretendo com assuntos covideanos, racismo estrutural, crimes de ódio, extremismo e grafittis, na União Europeia acontece a negociação mais importante desde que foi feito o Tratado de Roma. O que se discute é a sobrevivência da Zona Euro, em primeiro lugar, da própria União Europeia em segundo.

Com a crise provocada pela inusitada resposta à “pandemia” da OMS e democratas americanos, os governos europeus do Sul, os crónicos PIG (incluindo a França) tentaram uma arrojada jogada: com as economias estagnadas, as dívidas públicas estratosféricas e as eleições em risco para os centristas incumbentes, escolheram declarar a emergência e optar pelos lockdown para poderem ter a desculpa perfeita para uma crise económica “provocada” por uma “externalidade” que os isentasse de culpas pelas crises já em curso. Esperavam todos (olimpicamente enganados) que depois viria um plano Marshal de grandes investimentos públicos europeus (pago pelos nórdicos) que lhes permitisse voltar à compra habitual de votos dos funcionários públicos, pensionistas e demais dependentes do orçamentos de estado.

Acontece que, a Sul, como são maioritariamente socialistas, não entendem como deve funcionar uma moeda forte (o Euro). Contudo, os europeus do Norte, alemães in primis, entendem bem como se pode ter e gerir uma moeda forte que lhes é essencial para a riqueza que têm há longos anos em economias muito competitivas por real produtividade e capacidade de inovação. E mantêm essa riqueza apesar das fragilidades do Euro.

Nem os franceses (que tentaram ficar com o bom do Marco alemão esquecendo o mau do Franco francês) são capazes de viver no ordo-liberalismo alemão e nórdico que permite a moeda forte. E caem na tentação de gerir os ciclos políticos manipulando a moeda – usando a dívida – como sempre se fez a Sul – daí as nossas moedas locais/nacionais terem historicamente tantos zeros quando cambiadas pelas fortes do Norte e EUA.

Agora passemos ao Bloco de Esquerda.

O Bloco tem dirigentes entre as pessoas mais inteligentes da política portuguesa. Iniciaram uma estratégia nos anos 70 (apoiados por comunistas franceses, note-se) – que desemboca no momento actual em que têm já relevância central política-nacional e até mesmo no Banco de Portugal, via Louçã. Digamos que é um feito de extraordinário sucesso político. Fizeram-no com muita perspicácia, capacidade de adaptação, extrema frieza e calculismo.

Agora invistam uns minutos a ler este texto de Louçã:

Muitíssimo fácil concordar com Louçã. Uma posição perfeitamente, centrista, cordata e culturalmente de acordo com o que poderá pensar uma qualquer pessoa sensata. Usa muitas palavras para significar algo simples, certamente, mas comunica o seu “centrismo cultural”.

Desafio o leitor a encontrar diferenças no estilo face a um qualquer autor centrista/social-democrata dos que escrevem habitualmente no Expresso ou media nacionais.

A que se deverá esta “centralidade consensual social democrata” no estilo de Francisco Louçã, que nunca escreve ou diz uma palavra sem equacionar o ganho potencial para a causa?

Voltamos ao ponto inicial deste artigo: o momento que vivemos é o mais sério desde o Tratado de Roma e Louçã sabe-o. E, Louçã sabe também que ao Bloco de Esquerda não bastará ser centrista. Tem de parecê-lo.

Não haverá resgate que chegue (os nórdicos já disseram que não – ou então o Euro e a UE acabam depressa) para pagar devaneios eleitoralistas espanhóis, italianos, e consequentemente: portugueses. Assim, o governo português (tenha ele que cor tiver) terá de implementar austeridade profunda – numa situação em que os impostos já estão no limite – e o Bloco sabe que estará entre dois fogos:

1. Ter participado no caminho que desembocou no lockdown e no colapso económico subsequente;

2. Vir a ter de participar na austeridade e não perder a centralidade que tem actualmente no parlamento e órgãos de estado.

Além disso, na frieza e calculismo de objectivos que tradicionalmente tem, o Bloco de Esquerda não se pode esquecer do propósito inicial e idealista de implementar o comunismo trotskista. Disfarçadamente, claro, e manipulando n causas sociais, as fracturantes, em que são especialistas e onde ganham espaço para mais penetração sócio-económica e nos órgãos de estado.

Está muito em jogo. Aliás, do ponto de vista estratégico e do modo como o Bloco de Esquerda se tornou central no regime, para o Bloco de Esquerda: está tudo em jogo. Se cai o regime: cai o Bloco.

Vestir a pele do cordeiro é o menos.        

*este artigo foi publicado originalmente no artigos.contracorrente.pt/2020/06/bloco-de-esquerda-lobo-em-pele-

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