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A economia não pára, destrói-se.

Em alguns casos, essa nova construção, pode até estar algo facilitada. No meio dos cacos do que sobrou, pode-se ainda encontrar alguns pedaços fáceis de montar, mas é pouco provável. Ao dia de hoje, com uma depressão de 40% na produção, essa é a nova base para o trabalho. E para entender porquê, é preciso lembrar o que é o Capital.

Capital, é a combinação do conhecimento acumulado com o valor poupado destinado a multiplicar o valor da produção. Usando um exemplo simples: Um agricultor, com um trator, pode produzir batatas, e, se as conseguir vender, prosperar. Agricultor é o trabalho, Trator é a poupança, Batatas é a produção, a receita da venda das batatas é o valor produzido, o Capital é a capacidade de lucrar, de acrescentar valor na equação. Ora, de momento, com a economia parada, por decreto, o Agricultor tem ainda acumulado boa parte dos seus fatores de produção, tem o seu trator, o seu conhecimento de como se faz batatas, mas falta-lhe o essencial. Não faz ideia de quem irá comprar ou a que preço.

Irá sempre haver gente a querer comer batatas, especialmente depois de fritas, mas como é que o agricultor que até ao dia de anteontem tinha toda a sua cadeia de valor bem oleada por anos de prática, vai descobrir do dia para a noite onde estão os novos consumidores? Pois não vai. Vai ter ir outra vez à procura, criar toda uma nova rede de compradores e distribuidores e cozinhadores e saber os preços associados, para pôr as suas batatas de novo no prato e o dinheiro na caixa.

As coisas, não só as batatas, todas as coisas, têm valor económico na exata medida em que alguém as quer comprar. E o capital, a capacidade para gerar valor, está quase todo ele concentrado na capacidade de acertar no quanto será vendido e a que preço, gastando menos que isso para produzir. Quem faz bem essa previsão, tem lucro e prospera, quem falha, perdeu, morreu.

Num primeiro momento da quarentena, todas as apostas produtivas foram destruídas pela proibição de trabalhar. Agora, uma vez reaberto, será necessário reinventar, descobrir tudo de novo. É certo que há praí bastantes tratores guardados e gente muito apta a fazer batatas, mas e a vender? A quem? Como é que vai ser. Nas poucas lojas que já reabriram, não há clientes, mais valia continuarem fechadas.

Todas as lojas que fecharam, todos os escritórios que foram esvaziados, todas as máquinas que pararam, deixaram de ser produtivos. São agora poupança mal aplicada. Para voltarem a produzir, não lhes basta ligar a electricidade, é preciso descobrir, do lado de lá, quem é que vai comprar e que preço vai pagar. Um processo de descoberta, de criação de mercado, de acumulação de capital, que demora décadas a completar, e só lá vai, por tentativa e erro, muito erro.

Imagine-se que os aviões amanhã podem de novo voar. Para onde irão? Para levar quem? Quando voltam? Quantos passageiros trazem? Ao parar os aviões, não se perdeu apenas as vendas do dia, perdeu-se a capacidade de prever quem é que vai voltar a viajar e o preço que quererá pagar. Destruiu-se todo o capital das companhias aéreas, e não só. Efeito igual ocorreu em todos os outros negócios e lojas e fábricas que entretanto estão paradas.

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