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A alma é o segredo do negócio

Em alguns Países, pobres, existe um aforismo, sem tradução para a linguagem dos ricos, segundo o qual, “o segredo” é o ingrediente essencial para obter sucesso nos negócios. Uma auto-sabotagem que explica muita da incapacidade dessas sociedades em prosperar. Quem acredita que o segredo é a alma do negócio, está assumir que o sucesso empresarial depende em primeiro lugar da dissimulação e desonestidade. Numa aplicação mais branda, ditaria que fazer um produto superior em qualidade e valor acrescentado, é algo fácil de alcançar e que as empresas serão lucrativas, só por ocultação de um ingrediente secreto. Já na leitura mais mesquinha, presume que só cometendo algum pecado inconfessável é que o trabalho aplicado pode resultar em alguma qualidade.

A inveja pelo sucesso alheio é então o que está na base desta desvalorização do trabalho, da alma, para justificar o mérito a caminho do sucesso. Os invejosos gostam de alegar que o lucro depende antes de mais de algum engano, ocultação ou até de desonestidade. Naturalmente que, quem assim pensa, é porque nunca teve ele próprio um sucesso a que possa chamar de seu e, como tal, pretende mascarar a sua incompetência com algum tipo de virtude lamentável.

Como os que falham são mais do que os que persistem, nas sociedades pobres, a maioria das pessoas, não só insiste em trocar a ordem dos fatores, alegando o segredo do sucesso não é a alma com que se meteu ao trabalho, para ir até mais longe. Exigindo que todos os falhados sejam unidos na perseguição a quem tem sucesso, seja qual for a razão para o ter alcançado.

Para piorar as coisas, não faltam economistas académicos empenhados em sistematizar a mesquinhez, como foi o caso de George Akerlof, criatura insultada com um prémio nobel da economia, ao dizer, entre outras barbaridades, que nos mercados a verdade não se sabe e cabe ao governo proteger os consumidores de gastarem o seu próprio dinheiro onde lhes parecer melhor.

Se a vida te der limões, faz limonada, diz a sabedoria popular, mas Akerlof acha que não, segundo calculou, ao haver um mercado para os limões, irá reduzir o preço de todas as limonadas, pois não haveria forma de saber se estavam podres (ele estava a falar de carros usados, mais vai dar ao mesmo). Em conclusão de tanta sapiência económica é essencial, para o bem estar dos políticos e intelectuais, a criação de um monte de tachos em institutos reguladores, mantendo-os ocupados a criar burocracias, vender licenças, limitar concorrência, cobrar luvas e demais modos de impedir a existência do livre mercado.

Poder-se-ia alegar que por detrás desta fúria contra os mercados está a falta de experiência em honestamente trabalhar. Talvez os coitados dos reguladores não tenham nunca ultrapassado a vergonha de irem a Marrocos e serem enganados com a compra de um tapete de seda antiga em quase tão bom estado como se fosse feito de nylon quebrado ao sol. Mas é capaz de haver algo mais.

Muito provavelmente esta gente anti mercado, até algum dia imaginou trabalhar, mas ficou mortalmente ofendida por se descobrirem uns preguiçosos, além de frustrados por não tendo dinheiro porque não querem trabalhar, lhes exigirem que paguem pelas coisas que querem comprar. Ora, se é assim que funcionam os mercados, eles são contra. Devia haver no governo quem estabelecesse limites a isso da escolha, obrigando os outros a dar de graça as coisas boas que fazem, para ajudar a sustentar quem não quer trabalhar.

A coisa até não teria grande mal se os políticos reguladores da economia se ficassem pelos tapetes falsificados ou carros usados. Mas como sempre, eles estão de olho nos grandes números. Se é legítimo desmandarem nas bancas de limonada, o que lhes impede de meter a mão na massa, ou como eles dizem, regular, os bancos comerciais, as bolsas de acções; os derivados financeiros; o imobiliário; a saúde. Nada, como se pode ver numa pandemia perto de si.

Fecha as discotecas, proíbe as viagens, não se pode vender álcool nas bombas de gasolina, reduz a ocupação do uber a duas pessoas, mantém as lojas vazias, obriga a comprar golas anti-fumo, se for funcionário público pode receber se ficar em casa, não quer pagar as prestações então deixa andar, é preciso combater as fake news para que as pessoas saibam o que podem pensar. Não se preocupem, os governos têm um plano para combater os assintomáticos. Vai correr tudo bem, vão gastar o dinheiro dos outros de forma muito regular.

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